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O que aconteceu de importante no Brasil enquanto você estava prestando atenção na Copa

Publicado dia 04/07/2018 às 23h29min
Perdeu o fio da meada durante os jogos da Rússia? A BBC News Brasil te atualiza sobre os principais acontecimentos na política, da economia e da Lava Jato na última semana.

De quatro em quatro anos, o Brasil entra em outro ritmo para acompanhar os jogos da Copa do Mundo: repartições públicas e empresas mudam o horário de funcionamento; o trânsito é alterado em algumas cidades para evitar congestionamentos antes do jogos. Buscas rápidas no Google ou no Twitter mostram que a atenção dos brasileiros está mesmo nos gramados da Rússia, anfitriã da edição de 2018. saiba mais Justiça bloqueia R$ 1,2 bi de envolvidos em fraudes na sáude WhatsApp lança iniciativa global para combater fake news Pedido de abono de falta aumenta 11 vezes na Câmara Defesa de Lula insiste em 'farsa' para tirá-lo da eleição Alckmin defende reforma da Previdência assim que for eleito Mas nem por isso o mundo da política e da economia deixa de gerar fatos durante a competição: desde que o Brasil venceu a Sérvia por 2 a 0 no último jogo da fase de grupos, fatos relevantes aconteceram em arenas tão diversas como o Supremo Tribunal Federal, a 13ª Vara da Justiça de Curitiba e a Câmara dos Deputados. Para quem perdeu o fio da meada, a BBC Brasil traz abaixo um resumo de alguns dos principais acontecimentos que se desenrolaram desde a última quarta-feira. Sérgio Moro e Dias Toffoli trocam farpas sobre o caso de José Dirceu Dentro das quatro linhas, o duelo mais impressionante da semana que acabou foi entre as seleções da França e da Argentina - no sábado, os franceses despacharam o time cisplatino por 4 a 3. Mas no Judiciário, a contenda da semana foi entre o juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba (PR), e integrantes do Supremo Tribunal Federal, principalmente o ministro Dias Toffoli. Ex-ministro da Casa Civil no governo Lula, José Dirceu deixou a cadeia da Papuda, em Brasília, na manhã da última quarta-feira (27), a tempo de ver o jogo do Brasil contra a Sérvia. Em abril, o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) manteve a condenação de José Dirceu aplicada por Sérgio Moro, elevando a pena para 30 anos e nove meses de prisão. Para o juiz de Curitiba e os desembargadores de Porto Alegre, Dirceu cometeu os crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e associação criminosa ao supostamente receber R$ 10 milhões da empreiteira Engevix, em troca de vantagens em contratos com a Petrobras. O ex-ministro nega. A soltura de Dirceu na manhã de quarta foi decidida pelos ministros da Segunda Turma no STF no dia anterior - votaram a favor dele os ministros Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski e Dias Toffoli, o relator do caso. Sérgio Moro não tentou interferir na decisão de Toffoli e seus colegas, mas determinou dias depois, na última sexta-feira (29), que Dirceu fosse a Curitiba para receber uma tornozeleira eletrônica - dispositivo que serviria para a Justiça monitorar a localização dele. Dirceu também não poderia deixar o país ou encontrar-se com outras pessoas investigadas. Mas o ex-ministro da Casa Civil do governo Lula não chegou a viajar para Curitiba. Na segunda-feira (02), Dias Toffoli revogou a decisão de Sérgio Moro. Para Toffoli, Moro agiu em "claro descumprimento" da decisão do STF e decidiu um assunto que não lhe cabia. Moro não falou à imprensa, mas "lamentou" a decisão de Toffoli num despacho publicado nesta terça-feira (03). O juiz da Lava Jato relacionou decisões anteriores da própria Segunda Turma que determinavam o uso da tornozeleira no caso de Dirceu. Ex-procurador Marcello Miller vira réu, e STF prorroga inquérito contra Michel Temer Na Lava Jato, a semana trouxe más notícias para o ex-integrante do MPF Marcello Miller, para o delator Joesley Batista (do frigorífico JBS) e para o presidente da República, Michel Temer. Na última quinta-feira (28), a Justiça Federal em Brasília aceitou denúncia contra o ex-procurador da República Marcelo Miller e o empresário e delator Joesley Batista (um dos donos da holding J&F, que controla o frigorífico JBS). Também se tornaram réus pelo crime de corrupção a advogada Esther Flesch e um ex-diretor da J&F, Francisco de Assis. A tese da acusação é a de que Miller recebeu pelo menos R$ 700 mil para ajudar os executivos da J&F a conseguir um acordo de delação premiada com a chefia do Ministério Público enquanto ele próprio ainda não tinha se desligado do MPF. Para a acusação, Miller fez "jogo duplo" - trabalhou para Joesley e Wesley Batista enquanto ele próprio ainda fazia parte do órgão que deveria aceitar a proposta de colaboração. Já Flesch e Assis intermediaram a contratação de Miller. O MPF acusa seu ex-integrante de ter sido o "estrategista" do acordo de colaboração, a ser aceito por seus antigos colegas - a atuação dele teria garantido benefícios para os delatores, como a imunidade contra denúncias futuras. Este benefício foi revogado. Joesley Batista e a J&F negam ter feito qualquer pagamento indevido para Miller. A defesa do procurador, por sua vez, diz que ele não usou do seu antigo cargo para beneficiar os delatores, e que ele estava "em notório desligamento" do MPF quando foi contratado para atuar na defesa de Joesley. Na sexta-feira, o ministro Roberto Barroso (STF) atendeu a um pedido da Polícia Federal e estendeu por mais 60 dias o prazo da PF para investigar o presidente Michel Temer (MDB) no chamado "inquérito dos portos". Com isso, Temer continuará a ser investigado durante o recesso do Supremo Tribunal Federal. O novo prazo para as investigações se encerra no fim de agosto. O inquérito tramita no STF e apura se Temer e pessoas de seu grupo político receberam propina de empresas que atuam no Porto de Santos - uma antiga área de influência política do atual presidente, que nega qualquer irregularidade. A prorrogação tem um sabor agridoce para Temer. Por um lado, diminui muito as chances de ele sofrer uma nova denúncia por parte da procuradora-geral da República, Raquel Dodge, enquanto ainda é presidente. Por outro, significa que o emedebista continuará a sofrer desgastes em sua imagem a cada nova revelação da Polícia Federal no curso das apurações. Petrobras perde ação bilionária nos EUA, e Lewandowski (STF) proíbe venda de patrimônio de estatais Enquanto a bola rolava na Rússia, a Petrobras sofreu uma dura derrota do outro lado do oceano Atlântico, nos EUA. Na segunda-feira, veio a público que a estatal petroleira do Brasil foi derrotada numa disputa judicial contra uma companhia americana, a Vantage Drilling International. Segundo esta última, o valor da causa era de US$ 622 milhões (cerca de R$ 2,45 bilhões). A decisão é de um tribunal arbitral sediado nos EUA. Em comunicado divulgado nesta terça, a Petrobras disse que irá "adotar todas as medidas legais disponíveis" contra a decisão. A disputa envolve subsidiárias da Petrobras nos EUA (Petrobras America Inc.) e na Venezuela (Petrobras Venezuela Investments & Services, BV) e gira em torno de uma suposta quebra de contrato envolvendo os serviços de um navio-sonda, o Titanium Explorer. Em 2009, a Petrobras contratou o Titanium para serviços de perfuração de postos de petróleo - que foi rescindido em 2015. A Petrobras argumenta que o contrato foi rompido por causa de "falhas operacionais graves" da parte da Vantage. "Além disso, conforme revelado pela Operação Lava Jato, o contrato de serviços de perfuração em questão foi obtido mediante corrupção", disse a estatal. Na terça-feira, a maior empresa brasileira também informou que suspendeu as negociações para a venda e a formação de parcerias com suas refinarias de petróleo, depois de uma decisão liminar (provisória) do ministro Ricardo Lewandowski (STF). Na última quinta-feira, Lewandowski proibiu empresas estatais do país de vender ativos sem aprovação prévia do Congresso. A Petrobras já tinha decidiu vender 60% de sua participação num conjunto de refinarias nos Estados da Bahia, Pernambuco, Paraná e Rio de Janeiro. Câmara pode votar versão do projeto Escola Sem Partido Está marcada para esta quarta-feira a votação, na Câmara dos Deputados, de uma das versões do projeto conhecido como "Escola Sem Partido". Controverso, o projeto tem como objetivo evitar uma suposta doutrinação política e partidária nas escolas e universidades brasileiras. A sessão de votação está marcada para as 14h, na comissão especial criada para analisar o projeto. Se aprovada, a proposta pode, em tese, seguir direto para o Senado. Mas é provável que integrantes da comissão peçam que o projeto seja analisado também pelo Plenário da Casa, formado pelos 513 deputados. A versão a ser votada foi apresentada pelo relator do projeto, o deputado Flavinho (PSC-SP). O projeto determina que as salas de aula do país mostrem cartazes de 70x50 centímetros, com seis "deveres dos professores". O primeiro deles é o de não se aproveitar da presença dos alunos para "cooptá-los para nenhuma corrente política, ideológica ou partidária". O cartaz também determina aos professores que não incitem os alunos a "participar de manifestações, atos públicos e passeatas". Além disso, o projeto também procura banir a politização das provas de vestibulares e concursos para professores, além dos livros didáticos. E determina que a educação brasileira não adotará conteúdos "que tentam a aplicar a ideologia de gênero, o termo 'gênero' ou 'orientação sexual'". Acesse a íntegra do projeto em votação aqui (página 23). Dólar sobe e chega a R$ 3,90 Na segunda-feira, o time brasileiro teve uma de suas melhores atuações na Copa até agora, vencendo a equipe do México por 2 a 0 e passando às quartas de final. Mas o preço do dólar não se importou com os gols de Neymar e Firmino contra o time mexicano, e nem com a boa atuação de Willian. Nesta segunda, a moeda americana subiu quase 1% e chegou perto de R$ 3,92. Especialistas atribuem a alta à tensão entre Estados Unidos e China, que estão dando os primeiros passos de uma guerra comercial. Nesse cenário, investidores preferem colocar seu dinheiro em países como os EUA - e não em mercados emergentes como o Brasil. A notícia também é ruim para quem pretende viajar para o exterior: o dólar turismo, vendido nas casas de câmbio, chegou a R$ 4,07. A alta no dólar também puxa para cima o preço de alguns produtos que o Brasil importa - como o trigo usado na fabricação de pães e massas. Por isso, esse tipo de alta pode contribuir para o aumento da inflação no país.

Fonte: Terra

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